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Política

Flávio Bolsonaro Abre 9 Pontos sobre Lula no Rio Grande do Sul: Pesquisa Mostra 51% a 42% no Estado Mais Conservador do Brasil

Levantamento divulgado nesta terça-feira (23/6) coloca o pré-candidato do PL numericamente à frente no RS em cenário de segundo turno, consolidando uma vantagem que pode redefinir os cálculos eleitorais de 2026 no Sul do país.

Uma pesquisa eleitoral divulgada nesta terça-feira (23/6) mostra Flávio Bolsonaro com 51% das intenções de voto no Rio Grande do Sul em um cenário de segundo turno, contra 42% do presidente Lula. O levantamento aponta uma vantagem consistente do pré-candidato do PL entre eleitores gaúchos, num estado historicamente de perfil mais conservador e que se tornou palco de tensões políticas intensas nos últimos anos.

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Redação Política

há 1 minuto · 8 min de leitura

AO VIVO106 pessoas estão lendo agora
Imagem principal da matéria: Flávio Bolsonaro Abre 9 Pontos sobre Lula no Rio Grande do Sul: Pesquisa Mostra 51% a 42% no Estado Mais Conservador do Brasil
Foto: Reprodução

O Rio Grande do Sul entrou na mira do radar eleitoral nacional com força nesta terça-feira. Uma pesquisa de intenção de voto, divulgada em 23 de junho, mostra Flávio Bolsonaro numericamente à frente do presidente Lula em um cenário de segundo turno no estado mais ao sul do Brasil. Os números são contundentes: 51% para o pré-candidato do PL, contra 42% para o petista. Uma diferença de nove pontos que, em termos eleitorais, não é apenas uma vantagem — é uma declaração de território.

Para quem acompanha a política gaúcha, o resultado não chega a ser uma surpresa absoluta. O Rio Grande do Sul consolidou, nos últimos quinze anos, uma identidade política de forte inclinação conservadora, pautada por valores tradicionais, defesa da propriedade rural, protagonismo agroindustrial e uma relação particularmente tensa com governos de centro-esquerda. Mas o que a pesquisa revela vai além da simples confirmação de uma tendência: ela mostra que Flávio Bolsonaro, até aqui visto muitas vezes como uma versão diluída do fenômeno Bolsonaro, conseguiu no Rio Grande do Sul algo que seu pai também conseguiu — transformar o estado numa fortaleza eleitoral.

Os números e o que eles dizem sobre o eleitor gaúcho

Uma vantagem de 9 pontos percentuais em segundo turno não é um detalhe estatístico. Em uma disputa presidencial, margens dessa ordem costumam indicar não apenas preferência, mas vantagem estrutural — ou seja, uma base eleitoral que não depende de uma única candidatura ou momento de campanha, mas que reflete alinhamento mais profundo de valores e identidade. O eleitor gaúcho, segundo os dados do levantamento, parece ter feito uma escolha que vai além do antipetismo pontual: está assinando, com os números, uma carta de adesão ao projeto político representado por Flávio Bolsonaro.

É importante notar que o cenário pesquisado é de segundo turno — ou seja, supõe que ambos já superaram a fase inicial da disputa e estão frente a frente em uma eleição binária. Nesse formato, os eleitores que no primeiro turno dividiram seus votos entre candidatos menores precisam fazer uma escolha definitiva. A pesquisa sugere que, no Rio Grande do Sul, essa migração de votos favorece de forma clara o pré-candidato do PL. Para a campanha de Lula, isso significa que o problema não é apenas atrair eleitores indecisos — é reverter uma inclinação que parece já estar consolidada.

Nove pontos de diferença em segundo turno não é preferência passageira. É vantagem estrutural — o tipo de alinhamento que campanhas não constroem em meses, mas que anos de identificação política cimentam no eleitorado.

O Rio Grande do Sul como termômetro do Brasil profundo

Não é exagero dizer que o Rio Grande do Sul funciona, em certos momentos, como um termômetro do que o Brasil profundo pensa e sente sobre a política nacional. Gaúchos têm tradição de participação cívica elevada, índices de escolaridade acima da média nacional e uma classe média ativa politicamente. Quando um estado com essas características mostra uma preferência tão definida, o sinal não pode ser ignorado por nenhum dos lados do espectro político.

Historicamente, o RS teve forte presença do PDT e de legendas de centro, com figuras como Leonel Brizola e, mais recentemente, o próprio governo de Eduardo Leite. Mas a última década alterou o mapa partidário do estado. O bolsonarismo encontrou no Rio Grande do Sul terreno especialmente fértil — não apenas nas zonas rurais e no agro, como muitos supõem, mas também em cidades médias, entre pequenos empresários, em comunidades evangélicas e em parcelas da classe média urbana que se sentiram representadas por uma retórica de ordem, valores tradicionais e oposição ao que chamam de "agenda progressista".

A vantagem de Flávio Bolsonaro no estado, portanto, não é apenas um número. É a materialização de um projeto político que se enraizou no solo gaúcho com mais profundidade do que seus adversários estavam dispostos a admitir. Lula, que em outras épocas conseguiu mobilizar setores significativos do eleitorado sulista com pautas de inclusão e desenvolvimento social, agora encontra um muro mais alto: um eleitorado que não apenas discorda dele politicamente, mas que o rejeita como representante de um modelo de país que não deseja.

Análise crítica: o que está em jogo além dos números

A pesquisa no Rio Grande do Sul não deve ser lida de forma isolada. Ela é uma peça de um quebra-cabeça maior que a campanha presidencial de 2026 está montando, peça por peça, estado por estado. O que ela indica, em primeira instância, é que Flávio Bolsonaro herdou não apenas o sobrenome e a máquina política de seu pai, mas também mapas de fortaleza eleitoral que foram construídos ao longo de uma década de polarização. Jair Bolsonaro venceu no RS em 2018 e manteve alta rejeição em regiões como o Sul do país. Flávio, agora, parece estar consolidando essa herança geográfica.

Mas há uma leitura mais profunda que não pode ser ignorada. A vantagem de Flávio no RS acontece num momento em que o governo Lula enfrenta dificuldades crescentes em diversas frentes: a economia não decola da forma prometida, a inflação resiste, a aprovação popular oscila em patamares baixos, e o PT lida com escândalos de corrupção e desgaste institucional que minam sua credibilidade como partido da "ética na política". A pesquisa gaúcha pode ser, neste sentido, um espelho de uma insatisfação nacional que se concentra de forma mais aguda em estados com perfil conservador.

Para a campanha de Lula, os números do RS são um alerta vermelho. Não porque o estado seja, em termos de colégio eleitoral, decisivo em si mesmo — embora seus votos valham tanto quanto os de qualquer outro estado —, mas porque o que acontece no RS tende a irradiar. Se o pré-candidato do PL consegue abrir 9 pontos no estado mais conservador do país, o que isso diz sobre São Paulo? Sobre Minas Gerais? Sobre o Paraná? A pesquisa funciona como um sinal de fumaça que pode alterar as apostas de toda a campanha.

A candidatura de Flávio Bolsonaro: herança, diferença e o desafio do próprio voto

Uma das questões mais intrigantes levantadas pela pesquisa é até que ponto Flávio Bolsonaro consegue ser, ele mesmo, uma força eleitoral autônoma — e não apenas um avatar de Jair Bolsonaro. O eleitor gaúcho que declara intenção de voto em Flávio está votando no filho ou no projeto político do pai? A resposta provavelmente é: nos dois, simultaneamente. E isso é, ao mesmo tempo, a maior força e a maior fragilidade da candidatura.

A força está no reconhecimento imediato: Flávio não precisa construir do zero uma identidade política. Ele carrega consigo uma marca que mobiliza milhões de brasileiros. A fragilidade, porém, é que essa mesma marca carrega o peso de toda a trajetória de Jair Bolsonaro — os acertos, os erros, as polêmicas, os processos, as investigações. Se algo grave emergir nos próximos meses envolvendo o ex-presidente, a candidatura de Flávio pode sofrer ressonância direta. Se, pelo contrário, Jair Bolsonaro consolidar sua imagem como líder da oposição e vítima de perseguição política, o efeito pode ser de impulso adicional para o filho.

No Rio Grande do Sul, pelo menos por enquanto, essa dualidade parece funcionar a favor de Flávio. O eleitor gaúcho que apoia o bolsonarismo não faz distinção rígida entre pai e filho — vê, nos dois, uma continuidade de projeto. A pesquisa, com seus 51%, é a prova numérica dessa identificação fluida.

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O que Lula precisa fazer para reverter o quadro

Se a pesquisa gaúcha é um problema para Lula, também é uma oportunidade — desde que a campanha petista consiga ler os números corretamente. A primeira lição é que não adianta tratar o Rio Grande do Sul como um território perdido. Nenhum estado é inatingível em uma democracia, e o PT já demonstrou, em outras épocas, capacidade de mobilizar eleitorados que pareciam hostis. O erro maior seria abandonar o RS estrategicamente, cedendo o estado sem luta e, com isso, permitindo que o pessimismo se irradiasse para outras regiões.

A segunda lição é que a campanha de Lula precisa encontrar uma mensagem que dialogue com o eleitor gaúcho sem soar forçada ou oportunista. Pautas genéricas de inclusão e desenvolvimento social não bastam — o eleitor conservador do RS precisa sentir que seus valores, sua história e sua identidade são respeitados, mesmo que não sejam compartilhados. Uma campanha que ignore a especificidade cultural do estado está condenada a reforçar, não a quebrar, a rejeição.

Finalmente, Lula precisa de fatores externos que alterem a percepção sobre seu governo. Uma recuperação econômica mais vigorosa, uma redução visível da inflação, uma grande obra anunciada para o Sul do país — qualquer desses elementos pode mudar a dinâmica de uma campanha que, neste momento, parece caminhar para uma derrota categórica no RS. O tempo, porém, é curto. E o relógio eleitoral não para.

Conclusão

A pesquisa que coloca Flávio Bolsonaro com 51% e Lula com 42% no Rio Grande do Sul é mais do que um retrato momentâneo de preferências eleitorais. É um documento político que revela como o bolsonarismo consolidou raízes profundas em um dos estados mais identitários do Brasil — e como o petismo, apesar de todos os seus recursos e de sua história, ainda não encontrou a chave para reabrir essa porta.

Nos meses que faltam para a eleição de 2026, muita água vai passar debaixo dessa ponte. Pesquisas vão mudar, fatores externos vão surgir, campanhas vão se reorganizar. Mas o que não muda é a lição que o Rio Grande do Sul ensina, mais uma vez, à política brasileira: território não se conquista com discurso genérico. Se conquista com presença, com identificação, com respeito às especificidades de quem vota. Flávio Bolsonaro, pelo menos por enquanto, parece ter entendido isso melhor do que seu adversário.

Perguntas para reflexão

• A vantagem de Flávio Bolsonaro no RS reflete uma identificação genuína com o projeto político ou é, em parte, um efeito da rejeição acumulada ao governo Lula?

• O Rio Grande do Sul pode ser considerado um termômetro confiável para o restante do Brasil, ou sua especificidade cultural o torna um caso à parte?

• Flávio Bolsonaro conseguirá manter a autonomia eleitoral se Jair Bolsonaro enfrentar novos problemas judiciais nos próximos meses?

• Que estratégia a campanha de Lula poderia adotar para reduzir a distância em estados de perfil conservador sem soar oportunista?

• A polarização entre PT e PL está criando um Brasil de "estados fortalezas" onde a disputa real acontece apenas em poucos territórios indecisos?

FAQ

O que mostra a pesquisa divulgada em 23/6? O levantamento aponta Flávio Bolsonaro com 51% das intenções de voto no Rio Grande do Sul em cenário de segundo turno, contra 42% de Lula.

Qual é a diferença entre os dois candidatos no estado? A vantagem de Flávio Bolsonaro é de 9 pontos percentuais sobre o presidente Lula no RS.

O Rio Grande do Sul é um estado conservador? Sim. O RS consolidou nos últimos anos uma identidade política de perfil conservador, com forte presença do bolsonarismo em diversas camadas do eleitorado.

Isso significa que Flávio Bolsonaro vencerá a eleição presidencial? Não. Pesquisas estaduais em cenário de segundo turno indicam tendências regionais, mas a eleição presidencial depende da soma de votos em todo o território nacional.

O que a pesquisa indica para a campanha de Lula? O resultado sinaliza dificuldades crescentes do petismo em estados conservadores e exige uma reavaliação estratégica da campanha para reconquistar territórios perdidos.

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3 Comentários

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  • C

    Carlos R. há 1 hora

    Excelente cobertura. Era o que faltava na imprensa brasileira: notícia direta, sem viés.

  • M

    Mariana T. há 3 horas

    Concordo em parte. O texto poderia detalhar mais os impactos regionais da medida.

  • J

    João P. há 5 horas

    Parabéns ao Clicja pela apuração. Vou compartilhar com meus contatos.

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