Datafolha acende alerta no PT: Lula perde 3 pontos no Nordeste e Flávio salta 8
Reduto histórico da esquerda dá sinais de mudança e força o presidente a intensificar agendas regionais em ano pré-eleitoral
Avaliação positiva do governo na região cai de 53% para 41% em pouco mais de um ano; partido reorganiza articulação na Bahia e no Ceará.
O Nordeste, durante anos considerado o cofre eleitoral do PT, começa a dar sinais claros de reacomodação. Pesquisa Datafolha citada pelo jornal O Globo mostra que a vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na região encolheu de forma consistente nos últimos meses.
Os números do recuo
Em dezembro, Lula tinha 63% das intenções de voto entre eleitores nordestinos em cenário de segundo turno. Em abril, esse percentual havia caído para 60%. No mesmo intervalo, Flávio Bolsonaro saltou de 24% para 32% — um avanço de oito pontos em apenas quatro meses.
A avaliação do governo seguiu trajetória parecida. A soma das respostas “ótimo” e “bom” na região passou de 53% em março de 2023 para 41% no levantamento mais recente. Historicamente, o PT supera 69% dos votos válidos no segundo turno no Nordeste, tendo atingido 77% com Lula em 2006.
Reação na articulação política
Diante do quadro, Lula intensificou a presença na região: apenas no início do ano, foram oito visitas a estados nordestinos. A estratégia inclui anúncios de obras de infraestrutura, retomada de programas habitacionais e fortalecimento da rede de proteção social.
A movimentação mais simbólica, porém, ocorreu na articulação interna. Camilo Santana deixou o Ministério da Educação para reforçar a presença política no Ceará, onde Elmano de Freitas enfrenta dificuldades diante do crescimento de Ciro Gomes (PSDB).
Cenários estaduais sob pressão
Na Bahia, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) aparece atrás de ACM Neto (União Brasil) em pesquisas estaduais — algo impensável há dois ciclos eleitorais. Em Pernambuco, a polarização entre PSB e PL ganha contornos imprevisíveis, e até no Piauí, palco simbólico para o petismo, a vantagem encolheu.
Por outro lado, aliados do governo demonstram confiança na força histórica do partido, lembrando que a Nordeste é uma região com identidade própria, onde decisões de voto costumam se consolidar nos meses finais da campanha.
Olhar para 2026
A leitura mais comum entre cientistas políticos é que o Nordeste continuará majoritariamente lulista, mas com margens menores. Esse encolhimento, contudo, pode ser decisivo num cenário nacional polarizado, onde cada ponto percentual em uma região decide a eleição como um todo.
O Clicja acompanhará todas as próximas rodadas de pesquisas estaduais e nacionais para acompanhar a evolução desse rearranjo eleitoral.
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3 Comentários
- C
Carlos R. há 1 hora
Excelente cobertura. Era o que faltava na imprensa brasileira: notícia direta, sem viés.
- M
Mariana T. há 3 horas
Concordo em parte. O texto poderia detalhar mais os impactos regionais da medida.
- J
João P. há 5 horas
Parabéns ao Clicja pela apuração. Vou compartilhar com meus contatos.