Justiça Manda Penhorar o Cachê de Romário na CazéTV para Pagar Dívida de R$ 32,4 Milhões
4ª Vara Cível da Barra da Tijuca determina bloqueio de valores que o senador (PL-RJ) tem a receber pela participação nas transmissões da Copa do Mundo nos EUA e exige da CazéTV a íntegra dos contratos e comprovantes de pagamento.
A 4ª Vara Cível da Barra da Tijuca, no Rio, determinou a penhora de valores que o senador Romário (PL-RJ) tenha a receber da CazéTV para quitar dívida de R$ 32,4 milhões. Romário participa das transmissões do canal na Copa do Mundo, nos Estados Unidos, e decidiu devolver parte do salário parlamentar correspondente aos dias em que esteve no país. A Justiça exige que a CazéTV apresente contratos, propostas, notas fiscais e comprovantes de pagamento, e informe se algum contrato envolvendo Romário foi assinado por empresas parceiras da cobertura da Copa de 2026. Já houve, na mesma dívida, penhora de imóvel, lancha, Porsche e restrições via Renajud sobre um Audi e um Peugeot.

A imagem de Romário nas transmissões da CazéTV durante a Copa do Mundo nos Estados Unidos ganhou, nesta semana, um capítulo jurídico pesado. A 4ª Vara Cível da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, determinou a penhora de valores que o senador Romário (PL-RJ) tenha a receber do canal para pagar uma dívida robusta: R$ 32,4 milhões. O parlamentar, que também é ex-jogador e comentarista convidado do canal, decidiu ainda devolver parte do salário parlamentar correspondente aos dias em que esteve fora do país acompanhando a competição.
A decisão coloca em xeque, ao mesmo tempo, a rotina financeira do senador, a estrutura contratual do canal em torno de sua contratação e os limites do exercício parlamentar em paralelo a atividades comerciais privadas — todos temas altamente sensíveis para a opinião pública.
O que exatamente decidiu a Justiça do Rio
A 4ª Vara Cível da Barra da Tijuca determinou que a CazéTV apresente a íntegra dos contratos firmados com Romário, além de propostas, notas fiscais, recibos, comprovantes de pagamento e outros documentos relacionados à contratação do ex-jogador. Ou seja, o canal terá de abrir a caixa preta da relação comercial com o senador — dinheiro, cláusulas, tempo, entregas.
A decisão vai além. A Justiça também determinou que a CazéTV esclareça se algum contrato envolvendo Romário foi firmado por empresas parceiras na cobertura da Copa de 2026, e informe qual delas seria a responsável pelos pagamentos. A intenção é clara: rastrear todo o fluxo financeiro em torno do senador durante o evento, independentemente do nome da empresa que assinou o contrato.
"Caso o contrato para participação do executado Romário tenha sido firmado com outra empresa do grupo empresarial do qual faz parte a CazéTV, coligada, parceira comercial, produtora, agência, plataforma, patrocinador ou qualquer outra pessoa jurídica integrante da cadeia econômica da referida cobertura da Copa 2026, que esta informe com qual empresa, com a completa qualificação da contratante ou pagadora." — trecho da decisão.
Origem: Koncretize, Café Onze Bar e um estacionamento
A dívida de R$ 32,4 milhões decorre de uma ação de cumprimento de contrato movida pela Koncretize Projetos e Obras Ltda. contra Romário e uma empresa ligada ao senador. O processo, que tramita sob segredo de Justiça, está em fase de cumprimento de sentença — a etapa em que o credor vai atrás do dinheiro efetivo depois de já ter obtido decisão favorável.
A origem é comercial e, à primeira vista, quase prosaica: o Café Onze Bar, empreendimento do qual Romário era sócio. Segundo processo do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Romário contratou a Koncretize para administrar o estacionamento do bar, utilizando elevadores de veículos. O tempo e os desdobramentos, porém, transformaram esse contrato de estacionamento em uma execução milionária.
Já houve outras penhoras — inclusive de um Porsche
Não é a primeira vez que o patrimônio de Romário é atingido por essa mesma dívida. Já houve penhora de um imóvel, de uma lancha e de um Porsche. Também há restrições registradas via Renajud (sistema que bloqueia transferência de veículos) sobre um Audi e um Peugeot ligados ao ex-atleta.
A soma desses movimentos mostra que a execução vem em ritmo acelerado e sistemático: a Justiça está bloqueando bens de alto valor simbólico — imóvel, embarcação, veículos de luxo — e agora avança sobre uma receita futura vinculada a um dos maiores eventos esportivos do planeta.
Romário devolve parte do salário parlamentar pelos dias nos EUA
Em paralelo à batalha judicial cível, Romário decidiu devolver parte do salário parlamentar correspondente aos dias em que esteve nos Estados Unidos participando das transmissões da Copa. O gesto tenta blindar o senador na esfera política — evita a acusação de "receber por dois trabalhos ao mesmo tempo" — mas não interfere na esfera cível, que segue seu curso.
Do ponto de vista da opinião pública, a devolução tem valor simbólico. Do ponto de vista financeiro, o problema é outro: a execução em curso é de R$ 32,4 milhões, e a devolução parcial do salário de senador não altera essa conta.
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Análise crítica: o cruzamento entre política, patrimônio e mídia esportiva
O caso é rico porque combina três esferas que raramente aparecem juntas: um senador em pleno mandato, um processo cível de execução milionária em fase de cumprimento e um canal de esporte em franca expansão comercial. Cada uma dessas esferas tem lógica própria, mas a decisão da 4ª Vara Cível conectou todas: dinheiro que Romário receber pela CazéTV pode, por decisão judicial, ir direto para o pagamento da dívida.
Do ponto de vista processual, é execução de sentença — não novidade jurídica, mas aplicação vigorosa de instrumentos previstos em lei. Do ponto de vista político, o caso liga o nome de um parlamentar a uma imagem historicamente sensível: dívida bilionária, penhora de bens de luxo e cobertura midiática de grande evento esportivo. Do ponto de vista de mídia, expõe a CazéTV a um dever de transparência incomum: entregar contratos, comprovantes e mapear parceiras comerciais.
O que a CazéTV precisará entregar — e por quê
A ordem judicial exige da CazéTV a íntegra dos contratos com Romário, propostas negociadas, notas fiscais, recibos e comprovantes de pagamento. Também exige que o canal informe se algum contrato foi firmado por empresa coligada, produtora, agência, plataforma ou patrocinador ligado à cobertura da Copa 2026. O objetivo é evitar que a receita "escape" da penhora por meio de contratação indireta.
Para a CazéTV, o desafio operacional é claro: cumprir a ordem sem descumprir cláusulas de confidencialidade comercial e sem prejudicar a operação da cobertura. Para o mercado, a mensagem é ampla: contratação de figuras públicas com passivo judicial não é apenas questão de imagem — é risco financeiro real, com potencial de bloqueio de repasses.
Conclusão: o Rei precisa jogar defesa
Romário volta a viver, aos 60 anos, um daqueles capítulos em que sua história pessoal, política e patrimonial se confunde em manchete única. A decisão da 4ª Vara Cível não julga sua trajetória — julga um contrato específico, e o faz com a força de lei. A pressão sobre o senador é grande, o desgaste é público e o rastro de bens já penhorados é longo.
A Clicja continuará acompanhando os próximos passos da execução, a resposta da assessoria do parlamentar e a manifestação da CazéTV.
Perguntas para reflexão
• Parlamentares deveriam ter limites mais claros para atividades comerciais privadas durante o mandato?
• Canais de mídia esportiva precisam checar passivos judiciais antes de contratar figuras públicas de alto perfil?
• O gesto de devolver salário parlamentar pelos dias fora do país é suficiente para responder à opinião pública?
• A penhora sobre receita futura em contratos de mídia deveria virar prática mais comum em execuções de grande monta?
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FAQ
Qual foi a decisão? A 4ª Vara Cível da Barra da Tijuca (RJ) determinou a penhora de valores que Romário tem a receber da CazéTV, além de exigir contratos e comprovantes de pagamento.
Qual o valor da dívida? R$ 32,4 milhões, em ação movida pela Koncretize Projetos e Obras Ltda.
De onde vem essa dívida? De um contrato ligado ao Café Onze Bar, do qual Romário era sócio: a Koncretize foi contratada para administrar o estacionamento do bar.
Que bens já foram atingidos? Um imóvel, uma lancha, um Porsche, além de restrições via Renajud sobre um Audi e um Peugeot.
A CazéTV terá de expor os contratos? Sim. A Justiça exige a íntegra dos contratos, propostas, notas fiscais, recibos, comprovantes de pagamento e informações sobre empresas parceiras.
Romário fez alguma devolução? Sim. Decidiu devolver parte do salário parlamentar correspondente aos dias em que esteve nos EUA cobrindo a Copa.
O processo é público? A ação principal tramita sob segredo de Justiça e está em fase de cumprimento de sentença.
A Clicja continuará acompanhando o caso? Sim. Compartilhe esta matéria, comente sua opinião sobre a decisão e ative as notificações da Clicja para receber, em primeira mão, cada atualização sobre a execução contra Romário.
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3 Comentários
- C
Carlos R. há 1 hora
Excelente cobertura. Era o que faltava na imprensa brasileira: notícia direta, sem viés.
- M
Mariana T. há 3 horas
Concordo em parte. O texto poderia detalhar mais os impactos regionais da medida.
- J
João P. há 5 horas
Parabéns ao Clicja pela apuração. Vou compartilhar com meus contatos.