Ministra de Lula no STM Recebeu R$700 Mil de Empresa Fantasma Ligada ao "Careca do INSS"
Escritório de Verônica Sterman, indicada por Lula ao Superior Tribunal Militar, foi pago por CNPJ aberto por laranja e integrante de rede de lavagem de dinheiro que roubou bilhões de aposentados.
A nomeação da ministra Verônica Sterman ao Superior Tribunal Militar, em setembro de 2025, é a mais recente prova de como Lula tem tratado tribunais como moeda de troca política. Segunda mulher a ocupar uma cadeira no STM em 217 anos de história, Sterman chega ao cargo carregando uma acusação explosiva: seu escritório de advocacia recebeu R$700 mil da ACX ITC Serviços de Tecnologia — empresa apontada como fachada de uma rede de lavagem de dinheiro ligada ao "Careca do INSS", investigado por desviar bilhões de reais dos aposentados brasileiros.

A escolha da ministra Verônica Sterman para o Superior Tribunal Militar (STM), oficializada por Lula em setembro de 2025, nasceu cercada de desconfiança — e cada nova informação que vem à tona confirma o pior. Longe de ser apenas um "avanço simbólico de gênero", como tentou vender a comunicação oficial do Planalto, a indicação escancara mais uma vez o padrão petista de tratar tribunais como pedaço do loteamento político.
Sterman é apenas a segunda mulher em 217 anos a ocupar uma cadeira no STM. Deveria ser motivo de celebração. Não é. O que chega ao noticiário é uma trilha de pagamentos suspeitos, empresas fantasmas, laranjas confessos e vínculos com nomes já condenados pela Lava Jato.
R$700 mil de uma empresa fantasma
O escritório da ministra Verônica Sterman recebeu R$700 mil da ACX ITC Serviços de Tecnologia, empresa apontada por investigações como parte de uma rede de lavagem de dinheiro conectada ao chamado "Careca do INSS" — investigado por operar um esquema bilionário de desvio de recursos de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social.
Não se trata de um cliente qualquer. A ACX é descrita nos autos como uma casca vazia — um CNPJ criado para movimentar dinheiro sujo, sem estrutura real, sem operação verdadeira, sem funcionários compatíveis com os valores que passaram por suas contas.
R$700 mil de uma empresa fantasma não são "honorários de rotina" — são um cheirinho fortíssimo de blindagem jurídica com dinheiro do INSS.
O laranja confesso
O ponto mais escandaloso da história vem da própria Polícia Civil de São Paulo. O "dono" oficial da ACX ITC confessou em depoimento ser laranja: disse ter vendido seus dados pessoais por R$5 mil para que terceiros usassem seu nome na abertura do CNPJ. Ou seja, o CPF que aparece na Junta Comercial não tem qualquer vínculo real com a empresa.
Traduzindo: a empresa que pagou R$700 mil ao escritório da futura ministra do STM é, para efeitos práticos, inexistente. Existe no papel, movimenta dinheiro, gera notas — mas não tem um dono real disposto a assumir o que fez. É o retrato clássico de uma engrenagem de lavagem.
A cronologia que ninguém consegue explicar
A linha do tempo é o que transforma o caso de suspeita em escândalo. Os pagamentos ao escritório de Sterman ocorreram entre outubro de 2024 e fevereiro de 2025. Em março de 2025, o nome dela começou a circular no Planalto como aposta de Lula para o STM. Em setembro, a indicação foi oficializada.
Cinco meses recebendo de uma empresa fantasma ligada ao "Careca do INSS" — e, logo em seguida, promovida por Lula a uma das mais altas cortes militares do país. Coincidência é uma palavra elástica, mas até ela tem limites.
Interesse petista, não mérito
A escolha reforça o padrão que se consolidou nos últimos anos: as indicações de Lula para tribunais superiores privilegiam lealdade política e proximidade com o círculo petista em detrimento de análise técnica de mérito e de antecedentes.
Uma checagem elementar de reputação — o mesmo tipo de verificação que qualquer banco faz antes de abrir uma conta — teria acendido alertas gritantes no caso Sterman. Ou o Planalto não fez essa checagem, o que é grave, ou fez e ignorou, o que é ainda pior.
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A posse que disse muito
Se restava dúvida sobre o significado político da indicação, a própria posse tratou de esclarecer. Do púlpito do STM, Verônica Sterman fez questão de agradecer nominalmente aos ex-clientes Gleisi Hoffmann e ao ex-marido dela, Paulo Bernardo — ambos protagonistas de acusações no âmbito da Lava Jato.
Dizer publicamente, ao tomar posse em uma corte superior, "obrigada aos meus ex-clientes" petistas envolvidos em processos de corrupção é praticamente um manifesto. Não é discrição, não é imparcialidade, não é o perfil de quem tenta se apresentar como magistrada acima das paixões. É militância declarada.
Análise crítica: o STM como prêmio político
O Superior Tribunal Militar é o mais antigo tribunal do Brasil e uma peça sensível do sistema de Justiça — responsável por julgar crimes militares e por decisões que afetam a hierarquia e a disciplina das Forças Armadas. Colocar em uma de suas cadeiras alguém cercado por pagamentos suspeitos de uma rede acusada de roubar aposentados não é apenas problema individual: é problema institucional.
A pergunta óbvia é: como o Congresso, que sabatinou e aprovou Sterman, avaliou esses R$700 mil? A resposta, dolorosa, é que a base governista simplesmente engoliu a indicação, como tem engolido tantas outras. O interesse partidário venceu de novo — e o custo, mais uma vez, é a credibilidade do Judiciário.
Enquanto isso, milhões de aposentados que foram lesados pelo esquema do "Careca do INSS" seguem esperando ressarcimento. Ver dinheiro dessa mesma rede aparecer nas contas do escritório de uma ministra recém-empossada é uma ferida aberta na cara do brasileiro.
Perguntas para reflexão
1) É aceitável que o Planalto indique para um tribunal superior alguém cujo escritório recebeu R$700 mil de uma empresa fantasma ligada ao "Careca do INSS"?
2) O Congresso cumpriu seu papel constitucional de filtrar a indicação, ou apenas homologou a vontade do Executivo?
3) Que sinal se manda ao país quando, na posse, uma ministra do STM agradece publicamente a ex-clientes envolvidos em processos de corrupção?
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FAQ
Quem é Verônica Sterman? Advogada indicada por Lula em setembro de 2025 para o Superior Tribunal Militar, sendo a segunda mulher em 217 anos a ocupar o cargo.
O que é a ACX ITC? Empresa que pagou R$700 mil ao escritório de Sterman e é apontada como parte de uma rede de lavagem de dinheiro ligada ao "Careca do INSS".
Quem é o "Careca do INSS"? Investigado como articulador de um esquema bilionário de desvio de recursos de aposentados e pensionistas.
O "dono" da ACX confirmou ter empresa? Não. Ele confessou à Polícia Civil de SP ser laranja e ter vendido seus dados por R$5 mil para abertura do CNPJ.
Qual foi a cronologia? Pagamentos entre outubro/2024 e fevereiro/2025; indicação ao STM anunciada em março/2025; posse em setembro/2025.
Onde acompanhar? No portal Clicja, que segue investigando o caso.
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3 Comentários
- C
Carlos R. há 1 hora
Excelente cobertura. Era o que faltava na imprensa brasileira: notícia direta, sem viés.
- M
Mariana T. há 3 horas
Concordo em parte. O texto poderia detalhar mais os impactos regionais da medida.
- J
João P. há 5 horas
Parabéns ao Clicja pela apuração. Vou compartilhar com meus contatos.