Golpistas usam programas do governo em anúncios falsos na Meta
Estudo da NetLab/UFRJ lista Valores a Receber, Brasil Sorridente e Minha Casa Minha Vida como iscas em anúncios fraudulentos
Estudo da NetLab/UFRJ revela que golpistas usam programas como Valores a Receber e Minha Casa Minha Vida em anúncios falsos na Meta. Usuários são direcionados a sites que simulam serviços oficiais. Meta ainda não se manifestou.
Atualizado em 5 min de leitura

Golpistas têm usado programas e serviços públicos, entre eles Valores a Receber, Brasil Sorridente e Minha Casa Minha Vida, como iscas em anúncios falsos nas plataformas da Meta. É o que mostra um estudo do Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (NetLab/UFRJ). Os anúncios fraudulentos prometiam consultas a supostos valores disponíveis e direcionavam usuários a sites que simulavam serviços oficiais.
Como funcionam os anúncios fraudulentos
De acordo com o estudo, os golpistas criam anúncios patrocinados no Facebook e no Instagram com nomes de programas conhecidos do governo. Ao clicar, o usuário é levado a páginas que imitam os sites oficiais, onde é induzido a fornecer dados pessoais ou a pagar taxas para liberar valores inexistentes.
O levantamento identificou anúncios que usavam a marca do Valores a Receber, sistema do Banco Central que devolve dinheiro esquecido em contas, e do Minha Casa Minha Vida, programa habitacional do governo federal. Também foram encontrados casos envolvendo o Brasil Sorridente, programa de saúde bucal.
Estudo da NetLab/UFRJ
A pesquisa da NetLab/UFRJ mapeou a circulação desses anúncios nas plataformas da Meta entre os dias 1º e 15 de agosto de 2025. Os pesquisadores encontraram dezenas de anúncios que violavam as políticas de publicidade da empresa, que proíbem conteúdo enganoso.
O estudo ainda não foi publicado na íntegra, mas os pesquisadores já divulgaram os principais resultados. Eles alertam que os golpistas aproveitam a confiança da população nos programas sociais para aplicar fraudes.
Resposta da Meta
A Meta, empresa dona do Facebook, Instagram e WhatsApp, ainda não se manifestou sobre o estudo. A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa da companhia no Brasil, mas não obteve resposta até a publicação deste texto.
Em casos anteriores, a Meta afirmou que investe em tecnologia para remover conteúdo fraudulento e que colabora com autoridades. No entanto, o estudo da NetLab/UFRJ indica que os anúncios continuam ativos. Leia também: Meta lança IA para programação e desafia OpenAI e Anthropic.
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Como se proteger
Especialistas recomendam que os usuários desconfiem de anúncios que prometem valores ou benefícios do governo, especialmente se houver cobrança de taxas. O caminho seguro é acessar diretamente os sites oficiais, como o gov.br, e nunca clicar em links de anúncios.
Caso identifique um anúncio suspeito, o usuário pode denunciá-lo à plataforma e também registrar um boletim de ocorrência. A orientação é não fornecer dados pessoais ou bancários em sites desconhecidos.
O que diz o governo
O governo federal ainda não se pronunciou sobre o estudo. A reportagem procurou o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, responsável pelo Valores a Receber, e o Ministério das Cidades, que cuida do Minha Casa Minha Vida, mas não houve retorno até o fechamento desta matéria. Veja: Meta condenada a pagar US$ 567 mi por segurança infantil.
A orientação das autoridades é que a população fique atenta e utilize apenas os canais oficiais para consultar benefícios. Relembre: Eclipse solar e lunar de agosto.
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