Historiadores acusam comissão da Câmara de censurar livro
Obra sobre Independência do Brasil teria sido alvo de vetos, incluindo troca de 'ditadura militar' por 'regime militar'
Um grupo de historiadores acusa a comissão responsável pelas comemorações dos 200 anos do Congresso Nacional de impor mudanças e vetos ao conteúdo do livro 'Independências do Brasil', que seria publicado pela Editora da Câmara dos Deputados. Segundo os organizadores, uma das exigências foi substituir 'ditadura militar' por 'regime militar'.
Atualizado em 5 min de leitura

Um grupo de historiadores acusa a comissão responsável pelas comemorações dos 200 anos do Congresso Nacional de impor mudanças e vetos ao conteúdo livro “Independências do Brasil”, que seria publicado pela Editora da Câmara dos Deputados. Segundo os organizadores da obra, uma das exigências foi a substituição da expressão “ditadura militar” por “regime militar” nas referências ao período iniciado em 1964.
Acusações de censura
Os historiadores afirmam que as alterações foram feitas sem consulta aos autores e comprometem a precisão histórica da publicação. Eles classificam as medidas como censura e tentativa de reescrever a história.
A comissão, por sua vez, ainda não se manifestou publicamente sobre as acusações. A reportagem tenta contato com a assessoria de imprensa da Câmara dos Deputados para obter um posicionamento.
Trechos vetados
Entre os trechos que teriam sido vetados, além da troca da expressão sobre o regime militar, há relatos de que outras passagens consideradas críticas a governos militares também foram suprimidas ou alteradas.
Os organizadores da obra afirmam que as mudanças foram impostas de forma unilateral e que não tiveram a chance de discutir as razões. Eles defendem que a publicação deveria manter o rigor acadêmico e a liberdade de expressão.
Repercussão entre especialistas
Especialistas em história política ouvidos pela reportagem consideram as acusações graves e alertam para o risco de apagamento de memórias importantes. Eles ressaltam que a ditadura militar é um período amplamente documentado e reconhecido pela historiografia.
A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e outras entidades acadêmicas ainda não se pronunciaram oficialmente, mas a comunidade científica acompanha o caso com preocupação.
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O que diz a Câmara
Até o momento, a Câmara dos Deputados não confirmou nem negou as acusações. A assessoria de imprensa foi procurada, mas não respondeu aos pedidos de esclarecimento.
A comissão responsável pelas comemorações também não se manifestou. A falta de posicionamento aumenta a expectativa sobre o desdobramento do caso.
Próximos passos
Os historiadores afirmam que vão protocolar uma representação formal contra a comissão e pedir a revisão das alterações. Eles também pretendem divulgar os trechos originais para que a sociedade possa avaliar.
A publicação do livro, que estava prevista para este ano, pode ser suspensa até que a situação seja resolvida. Ainda não há data para uma definição.
Por que isso importa
Para o leitor, isso significa maior transparência e acesso a informações verificadas, impactando diretamente na tomada de decisão diária e no entendimento do cenário nacional.

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