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Economia

Produtores da Bahia destroem pomares após queda da laranja

Crise no campo: preço baixo inviabiliza colheita e leva agricultores a destruir produção em Itapicuru

Agricultores de Itapicuru, na Bahia, estão destruindo pomares carregados devido à forte queda nos preços da laranja. Sem cobrir custos de colheita e transporte, produtores relatam inviabilidade financeira na região.

Redação Economia

Atualizado em 5 min de leitura

Produtores da Bahia destroem pomares após queda da laranja — Crise no campo: preço baixo inviabiliza colheita e leva agricultores a destruir produção em Itapicuru
Crise no campo: produtores baianos destroem pomares de laranja após queda nos preços.

Produtores de laranja do município de Itapicuru, no nordeste da Bahia, estão destruindo pomares carregados de frutas diante da forte queda nos preços da laranja. A medida, relatada pelos próprios agricultores, ocorre porque o valor pago pela caixa do fruto não cobre os custos de colheita e transporte. A situação expõe uma crise econômica no campo que afeta a renda local e pode ter reflexos nos preços ao consumidor.

Crise de preços inviabiliza colheita

Segundo relatos de produtores da região, o preço da laranja caiu a um patamar em que a venda da produção gera prejuízo. O custo para colher, embalar e transportar as frutas até os centros de distribuição supera o retorno financeiro, tornando a atividade insustentável. Diante disso, muitos optam por abandonar os frutos no pé ou derrubar as árvores para reduzir perdas futuras.

A destruição dos pomares é uma decisão drástica, mas vista por muitos como a única saída para evitar gastos ainda maiores. A falta de compradores e a oferta abundante no mercado pressionam os valores para baixo, agravando o quadro.

Impacto na economia local

Itapicuru depende fortemente da agricultura, e a crise da laranja afeta diretamente a geração de emprego e renda no município. Trabalhadores rurais que dependem da colheita temporária ficam sem ocupação, e o comércio local sente a queda no movimento. A prefeitura e entidades do setor ainda não se manifestaram oficialmente sobre medidas de apoio.

A situação reflete um problema estrutural no agronegócio brasileiro, em que o produtor fica vulnerável às oscilações de mercado e aos custos logísticos. Especialistas apontam que a falta de políticas de garantia de preços mínimos e de infraestrutura adequada agrava o cenário.

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Custos de produção e logística

Os custos com insumos, mão de obra e frete subiram nos últimos anos, enquanto o preço pago ao produtor não acompanhou a alta. No caso da laranja, o transporte até as indústrias de suco ou centrais de abastecimento consome boa parte da receita. Quando o valor de mercado cai, a margem desaparece e a operação se torna deficitária.

Produtores relatam que, em alguns casos, o preço oferecido não paga nem o diesel do caminhão. A falta de alternativas de escoamento e de armazenamento na região amplia a dependência de intermediários, que impõem condições desfavoráveis.

Reflexos para o consumidor

Embora a queda de preços no campo possa sugerir redução nos supermercados, o consumidor nem sempre percebe esse benefício. A diferença entre o valor pago ao produtor e o preço final nas gôndolas é historicamente grande, devido a margens de atacado e varejo, impostos e perdas. Com a destruição dos pomares, a oferta futura pode diminuir, pressionando os preços para cima no médio prazo.

A crise também levanta preocupações sobre a sustentabilidade da produção de laranja no Brasil, maior exportador mundial de suco da fruta. A redução da área cultivada pode afetar a competitividade do país no mercado internacional.

Sem solução à vista

Até o momento, não há anúncio de medidas concretas do governo federal ou estadual para socorrer os produtores de laranja da Bahia. Ações como a compra de excedentes ou subsídios ao frete não foram confirmadas. A expectativa é de que o assunto ganhe repercussão e mobilize autoridades, mas, enquanto isso, os agricultores seguem enfrentando prejuízos.

A reportagem tenta contato com a Secretaria de Agricultura da Bahia e com sindicatos rurais da região para obter posicionamento oficial, mas ainda não obteve retorno.

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